
Acrílico sobre tela – 4 e 5 de dezembro.

Acrílico sobre tela – 4 e 5 de dezembro.

A partir do clipe “A história da morena nua que abalou as estruturas do esplendor do carnaval” , de Max de Castro. Dei um pause com 1:37 desse vídeo pra me basear para a pintura, feita em acrílico sobre papel.

Parto hoje pra São Paulo. Vou à Bienal, à Pinacoteca e ao Masp. Aguardem as histórias e reflexões na segunda-feira por aqui.
Só uma coisa: mensagem, não. Quem quer mandar mensagem tem Orkut, celular…exposição não é pra mandar mensagem. Estou com isso bem vivo, à espera de um contato bem diferente. “Communication Breakdown”, pane na comunicação. O mundo está em pane! Nós só queremos o Vazio!

A proteína mais facilmente digerida e assimilada pelo organismo – a vegetal – é insubstituível.
O amigo “Sábio” Ricardo vai fazer o teste e passar a próxima semana sem comer carne. Acompanhe o drama e torça por um final feliz.
O meu teste este mês completa dois anos e resultou numa dieta mais saudável. Esta semana tentei voltar a comer carne. Comprei uma lata de sardinha, dei uma garfada na boca e joguei o resto fora. Ecaaaa! Apesar de diversos argumentos pelo vegetarianismo, nada é mais convincente pra mim que a sensação do paladar depois de me desfazer de imposições sociais. Ninguém nasce comendo carne, é acostumado. Eu voltei ao normal.
Paredes brancas são meu tormento e não haveria sensação pior pra me acompanhar durante a espera no hospital. Os minutos rastejavam cada vez mais longos quando pude finalmente ver meu filho e minha esposa.
O Leonardo chegou pra mudar nossas vidas. Pelo menos a minha, eu decidi, tinha que ser preenchida com momentos de alegria intensa, pra compensar tanta agonia da passagem até agora discreta que tive por este mundo. Que hora estranha pra nascer o meu primeiro filho! A coincidência só podia ser o aviso que eu precisava, e eu atendi.
Passamos dias vendo as ondas na praia, conhecendo o vai-e-vem da água. Barulho de mudança, pra mim uma terapia. Em casa, era o Leonardo de dia e uma nova esposa à noite. Eu a amava mais do que nunca, ela procurava entender minha nova fase e dávamos gargalhadas com o Léo. Uma linda mãe, um lindo filho.
Esta semana o Léo fez seu primeiro aniversário e tive uma surpresa: sobrevivi. Contrariei as expectativas do médico, que disse que eu teria apenas um ano de vida depois de descoberto o câncer.
O Léo já está mexendo com a areia na praia. A Mara chora e não sabe explicar por quê. O médico ainda diz que posso morrer a qualquer momento, mas meu filho me trouxe hoje uma palavra mais animadora que a do pós-graduado: “papai”.


Não lhe importava ouvir o discurso pré-nupcial, gasto
O vento batia úmido no pescoço ao recostar-se na porta
A mulher não queria só encostar a primavera nos seios
Mas também aquela voz, sem o discurso
Me peguei tentando entender o “sentido”, as palavras que representam uma obra de arte. Foi depois de comentar com uns amigos sobre o filme “Cidade dos Sonhos” (Mulholland Drive, de David Lynch). Eu tinha visto uma vez, agora vi de novo e tentei achar um porquê a cada cena. O próprio diretor recomenda que a gente fuja desse comportamento e apenas sinta. Exatamente o que peço sempre para os espectadores de arte visual abstrata e questiono muito nessa época de Bienal de Artes. Há quem rejeite a arte porque não faz pensar. É absurdo.

Eu quero acreditar que tentei pensar o filme só porque conversei com meus amigos. Assim fico mais aliviado, menos culpado. Seria como me matar só porque não descobri o sentido da vida, ou até menos sensato. Afinal, a arte é feita exatamente pra descansarmos do raciocínio. Num antigo blog, eu disse que um show do Tequila Baby foi meu melhor show de punk exatamente porque eles não gritavam ordens anarquistas. A filosofia deve servir a arte, e não o contrário. O artista não transmite um pensamento para o público, mas sim a disposição para pensar sempre sobre qualquer assunto, em outra oportunidade.
Arte é aquele passeio no parque depois de longas horas estudando pro vestibular ou tentando entender o fim do namoro, a morte do amigo. Se passarmos a vida toda a procurar seu sentido, ela acabou. Sem arte, a vida acabou. Se é pra ter um sentido definido, escrevamos uma monografia e não pintemos um quadro.
Imagem: experiência abstrata minha, detalhe

Essa charge sai hoje no Jornal Cobaia, do curso de Jornalismo da Univali, para ilustrar o tema “Tecnologia”, um dos abordados nesta edição.

Anda, Daniel!, ela arranja. Joga-me pra outra e dá canja na boca da amiga.
Anda!, instiga. Joga a outra na minha boca e nem liga pros poros da própria barriga
Também me chamam, olhe pra eles, anda, esquece o teu plano e me dá aos teus montes.
Me conte pra outra, mas primeiro me sinta, me pinta de amante só hoje,
Amiga!

Vamos?
A vitória dos Estados Unidos por 1 a 0 na prorrogação, na final do futebol feminino das Olimpíadas de Beijinhos, me consola. Não vibrei. Torcia pelo Brasil, entre um desenho e um arroz aqui em casa, com a TV ligada. Mas veio de novo minha alegria com a vitória da Argentina, terça-feira, quando comemorei e fui xingado pelos colegas no trabalho. Diferente do time feminino, o masculino tinha menos técnica e dava menos show que o adversário. Agüero e Messi empolgam. Messi, além de habilidoso, teve peito pra deixar o Barcelona falando sozinho e ir pras olimpíadas contra a ordem do clube. Mas, tanto entre os homens quanto entre as mulheres, a derrota do Brasil mostra o quanto estamos frágeis. Faz o povo pensar que há holofotes demais sobre o futebol. Com os gritos de “injustiça” do Galvão Bueno, fica fácil pra qualquer artista perceber que beleza atraente é a beleza da arte, sem juízo final, e não a habilidade suja de derrota (ou de desejo de vitória) do futebol de Marta e Cristiane.
NO olimpíadas, YES beijinhos! E viva a gata da goleira dos Estados Unidos, a Solo.
O cara que ganhou mais medalhas no Cubo D’Água, Michael Phelps, encerra a série Beijinhos 2008 do blog. Caricaturas-posfácio e textos-posdifícil sobre as olimpíadas podem aparecer ainda, calma. Se tiver alguma sugestão, faça como unidades de pessoas de todo o planeta: comente no Texto Decorado!
Essa série só foi possível com o apoio da equipe da Noc Noc Pautas Haus, casa onde moro em Blumenau. Minha gratidão a:
Thiago Floriano – Informações olímpicas e análises geométricas
Oliveira Júnior – Informações olímpicas e cálculo de nível de risadas
Escusem-me, vou aproveitar a popularidade do Phelps pra conseguir também alguns acessos internacionais: